À frente da Bonus Track, Luiz Guilherme Niemeyer destaca a importância das parcerias público-privadas, do Visit Rio e dos grandes festivais para imagem internacional da cidade

O Rio de Janeiro, cada vez mais, se consolida como   palco de grandes espetáculos, o que projeta a imagem da cidade como destino de turismo cultural no cenário internacional. A cada grande evento, a cidade reafirma sua vocação para receber multidões com segurança e infraestrutura, amplia sua visibilidade e movimenta diferentes setores da economia e do turismo.

A Newsletter do Visit Rio conversou com Luiz Guilherme Niemeyer, à frente da Bonus Track, que tem desempenhado papel estratégico nesse contexto de internacionalização. A empresa é responsável pelo projeto “Todo mundo no Rio”, que já trouxe shows históricos para Copacabana, com nomes como Madonna e Lady Gaga. 

Nesta entrevista, Niemeyer fala sobre os bastidores da organização de grandes espetáculos, os desafios de logística e infraestrutura e a importância das parcerias. Ele também comenta sobre a retomada de projetos como a reabertura do Canecão, e revela novidades que prometem marcar os próximos anos da cena cultural carioca. 

Confira a entrevista completa!

Visit Rio: O Rio de Janeiro vem se consolidando como palco de grandes eventos musicais, muitos deles promovidos pela Bonus Track. Na sua opinião, o que explica o bom desempenho que o Rio? 

Luiz Guilherme Niemeyer: O Rio de Janeiro é a imagem mais forte do Brasil internacionalmente. O imaginário da cidade remete muito às suas belezas naturais, à alegria das pessoas. Então já existe uma vontade de vir conhecer a cidade. E os shows e festivais estão sendo um excelente gatilho para incentivar essa vinda – falamos que é o turismo musical, e que cresce em outros países também.

Quando realizamos o primeiro show da  Madonna na Praia de Copacabana, em 2023, o número de turistas do mundo inteiro surpreendeu, em especial no mês de maio,  que não é período de férias em nenhum local e é considerado baixa temporada. Em 2024, no primeiro show da Plataforma Todo Mundo no Rio, com Lady Gaga, o número de turistas praticamente dobrou. E a disseminação de imagens e conversas sobre o show dominou a internet. Entre os dias 21 de fevereiro, quando o show de Lady Gaga foi confirmado, e o dia 5  de maio, foram contabilizadas 1,7 milhão de menções sobre a plataforma Todo Mundo no Rio e o show nas redes sociais, com alcance estimado de 2,2 bilhões de pessoas.

Vale lembrar um conjunto de fatores muito importante para chamar esse público – um show icônico, um artista que tenha “demanda reprimida”, estrutura, organização e segurança.

 

VR: Quais são os principais desafios de logística e infraestrutura que a cidade precisa superar para continuar recebendo públicos massivos com segurança e qualidade?

LGN: O transporte público é essencial para a realização de grandes evento como esses, em especial porque, por segurança, os acessos de veículos são fechados no bairro. Temos um excelente plano desenvolvido pela prefeitura e órgãos públicos competentes e que foi implementado nessas duas edições em Copacabana. Mas sabemos que o pós-show, quando todos saem praticamente ao mesmo tempo, será sempre um desafio.

O Rio de Janeiro, após receber grandes eventos mundiais como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, viu sua rede hoteleira crescer e aumentar a oferta em diversos bairros, e isso foi de extrema importância para todos os eventos realizados na sequência.O planejamento de segurança para esses grandes momentos também deu exemplo de competência e seriedade, e foi elogiado por todos.

 

VR: Como avalia o papel das parcerias com o poder público para posicionar o Rio de Janeiro na rota de grandes turnês e festivais internacionais e a importância da marca Visit Rio nestas negociações?

LGN: Sempre falamos que para realizar eventos desse porte, além do apoio do setor privado nos patrocínios, a parceria com o governo e órgãos públicos é fundamental. São esses órgãos que comandam o dia a dia da cidade e que conhecem seu comportamento. E quando falamos em Rio de Janeiro é inegável o profissionalismo e a seriedade com que todo o trabalho é desenvolvido.

O setor público do Rio acredita no enorme impacto econômico que o entretenimento e a cultura trazem – e a cauda longa que faz com que esse impacto cresça. Falamos em geração de empregos, profissionalização de mão de obra para o segmento, crescimento do turismo e todo o segmento de receptivo e A&B, por exemplo. Falamos também na chegada de novos eventos com os resultados positivos alcançados pelos que estão acontecendo agora.

A atuação do Visit Rio é fundamental nestes momentos oferecendo aos visitantes todas as informações sobre como aproveitar melhor a cidade como um verdadeiro carioca, ao passo que fazendo esse trabalho estimula estadias mais longas.

 

VR: A Bonus Track também é responsável por projetos como os festivais MITA e Doce Maravilha. Como esses eventos contribuem para diversificar o calendário cultural? Há planos para retomar o MITA, que teve edições em 2022 e 2023?

LGN: Ambos os festivais chegaram com propostas novas que foram muito bem aceitas pelo público – eventos de médio porte em horário diurno. Você vê pessoas de diferentes gerações curtindo juntas a programação. É uma mudança também com impacto nos bares e restaurantes no entorno, que ficam lotados recebendo o público após o evento.

O Doce Maravilha, que tem sua terceira edição acontecendo de 26 a 28 de setembro, reflete muito esse estilo de vida carioca, em especial porque está em um dos mais bonitos cenários da cidade, olhando para o Corcovado, entre a Lagoa e o Jardim Botânico, no pião do prado do Jockey Club Brasileiro. O festival foi pensado para ser uma enorme festa da música popular brasileira, levando ao público encontros de artistas que acontecem somente em seus palcos. O MITA é um festival proprietário e que tem características muito importantes na composição de seu line up, com artistas brasileiros e internacionais. Ao decidirmos por uma pausa nos dois últimos anos, é porque não queríamos fazer edições sem seguir exatamente o DNA do evento, por diversas razões.

 

VR: Como carioca, qual é a sua percepção sobre o consumo de cultura e entretenimento na cidade? E qual é a sua relação com o Carnaval, já que você também mantém um camarote na Sapucaí?

LGN: O Rio de Janeiro tem uma característica muito importante que é oferecer opções culturais para todos os públicos possíveis,  e as pessoas se encontram e se misturam nos eventos sem qualquer tipo de questionamento ou diferenciação. Além disso, existe oferta para todos os bolsos e muita atividade gratuita.

Ao mesmo tempo que existe a preservação e a reverência a tradições culturais, existe também a adequação de dias, formatos e horários ao estilo de vida do carioca, ou de um determinado grupo. Os sambas que acontecem no centro da cidade são importantes  exemplos, em especial a Pedra do Sal e o Samba do Sacramento, na Rua do Mercado. Em ambos os casos, a rua é o palco,  e o público deixa de ser mero espectador.

O Carnaval é o ápice da festa cultural popular no Rio de Janeiro, unindo as escolas de samba da Sapucaí e também as da Intendente Magalhães, os blocos de rua que nasceram de pequenos grupos de amigos e hoje arrastam multidões e os trios de grandes nomes como Anitta e Monobloco.

Eu sempre fui muito impactado pelo tamanho e alcance do Carnaval e, quando comecei a trabalhar com eventos, tive uma real dimensão dessa festa nos negócios, na ativação de marcas e na economia como um todo. Quando vi a oportunidade de unir a admiração pelo trabalho das escolas de samba com a atuação como empresário, não tive dúvidas.