São exatos 120 anos de História, que se completam esse ano. A Casa Paladino pertence ao seleto grupo de bares cariocas com mais de 100 anos de idade. Uma lista de poucos nomes que inclui outros monumentos da gastronomia e da cultura popular dessa Cidade Deliciosa de São Sebastião. Estamos falando de endereços icônicos como o Bar Brasil, o Restaurante Rio Minho, O Armazém Senado, a Casa Urich, a Leiteria Mineira, o Café Lamas, o Bar do Joia, o Aurora “Desde 1898”, o Nova Capela, o Amarelinho da Cinelândia, e o Armazém Santiago (mais conhecido como Bar do Gomes). Isso sem falar da Confeitaria Colombo, de 1894, e da Casa Cavé, essa ainda mais velha, fundada em 1860, ponto mais antigo dessa turma de centenários, lugares fundamentais nos roteiros turísticos com interesse em história, arquitetura e boa mesa.

Dentro dessa seleção que reúne representantes de vários tipos de comércio tradicional da cidade (o bar, o restaurante, a leiteria, o café, o armazém), a Casa Paladino é lar da boemia vespertina carioca desde 1906, quando abriu as portas ali naquela sempre movimentada esquina das ruas Uruguaiana e Visconde de Inhaúma, ponto nevrálgico do agito político e social do Rio no início do século passado – a cidade pulsava naquela região. É um lugar para petiscar, beber e ver a vida passar, desde o fim da manhã até o início da noite, na hora feliz dos trabalhadores do Centro.

A Casa Paladino nasceu como um típico armazém de secos e molhados, misto de bar e mercearia, que são um tipo de estabelecimento tradicional que ajudou a moldar o que são hoje os botequins cariocas, lugar de encontro e de celebração, de comer e beber, de conversar e falar de samba, futebol e política. Papo de botequim, essa instituição da cidade, é praticado ali, e o barulho das conversas nos dois salões não deixam dúvidas que ali é lugar de debates e de resoluções, de trocas e de encontros.

As estantes de madeira nobre repletas de vinhos, os letreiros antigos, os azulejos, as paredes cobertas de prêmios, reportagens de jornais e outros registros históricos remetem ao passado. O luminoso retrô da Brahma. As garrafas com rótulos desgastados pelo tempo. Tudo isso encharca a Casa Paladino de História, de identidade. É um lugar com alma. Se sente ao entrar ali sem esforço, sem se prestar atenção.

Estamos imersos entre prateleiras antigas com conservas e outros itens característicos desses estabelecimentos comerciais que estão na gênese da cultura botequeira da cidade, o que inclui bacalhau salgado, azeitonas, tremoços, castanhas e frutos secos, chás ingleses, latas de sardinha, frios os mais diversos.

Juntamente pelo fato de venderem toda a sorte de queijos e itens de charcutaria, o lugar passou a servir sanduíches, montados no pão francês, usando salaminho, provolone, presunto, mortadela etc. E ovo frito, por que não?

Prático e gostoso, rápido e acessível ao bolso.

Assim foi criado o chamado triplo, sanduba caprichado, com ovo, presunto e queijo, o mais famoso de todos. Há variações, com queijos e embutidos diferentes, com ou sem ovo (neste caso, é um duplo).

Já as latas de conservas deram origem às fritadas, como a que é feita com as sardinhas importas de Portugal. São mais de 15 versões de omeletes, variando os recheios, combinando queijos e conservas.

Quase tudo também é vendido em forma de porção, como aperitivo, para comer de palito, com ou sem pão, de modo descontraído. O salaminho pode vir com limão. A pimenta da casa completa o tempero adequado. Lata de azeite português não falta sobre as mesas de pano vermelho, forrado com plástico transparente, uma tradição da Casa Paladino, protegendo as toalhas.

Há combinações variadas para sanduíches, omeletes e porções. E você pode criar a sua. Tenho um amigo que gosta de pedir ovas frescas de tainha chapeadas com queijo gorgonzola. Na Casa Paladino uma das sugestões de omelete tem camarão e gorgonzola. Que tal? Apesar de centenário e tradicional, é um lugar que ainda por cima nos pode surpreender.

Além disso, a Casa Paladino é um sítio onde podemos pedir uma lata de atum, finalizada com azeite e cebola fatiada fininha, como manda a tradição ibérico do Norte de Portugal e Espanha, o Minho e a Galícia, origem dos imigrantes que plantaram no Rio a tradição dessas bodegas.

São 120 anos de História. Como se diz: História não se compra. Se constrói. E a Casa Paladino é parte da História do Rio, com louvor.

Endereço:  R. Uruguaiana, 224 - Centro, Rio de Janeiro
Siga: @casapaladino