O cheiro do tucupi quente, o leve formigamento do jambu na boca e o perfume do peixe assado na brasa. Sabores que nascem às margens dos rios amazônicos e que também encontram espaço no Rio.

A cidade, que sempre abraçou cozinhas de diferentes regiões do Brasil, foi sendo construída por esses encontros. Mineiros trouxeram seus fogões a lenha, nordestinos espalharam o baião de dois e, nesse movimento, a culinária do Norte também se firmou por aqui. Hoje, reúne restaurantes tocados por paraenses e amazonenses, com receitas de família e ingredientes que atravessam o país.

Tacacá na cuia, maniçoba preparada por dias, pirarucu, pato no tucupi e o açaí na versão raiz, mais espesso, menos doce e muitas vezes acompanhado de farinha ou peixe. Preparos que carregam memória, técnica e identidade.

Entre endereços históricos e algumas novidades, reunimos os melhores lugares para provar a culinária amazônica sem sair do Rio.

Aldeia

Na Barra da Tijuca, o Aldeia leva ingredientes amazônicos para um formato mais informal, no Shopping Downtown.

No cardápio aparecem peixes como pirarucu e tambaqui, açai natural e sobremesas com cupuaçu, além de pratos executivos.

Para quem mora na Zona Oeste e quer uma primeira aproximação com esses sabores, é uma ótima porta de entrada sem precisar cruzar a cidade.

Endereço: Av. das Américas, 500 – Barra da Tijuca

Saiba mais: @aldeia_restaurantebarra

Amazônia Soul

Em Ipanema, o Amazônia Soul mistura restaurante e empório em um mesmo espaço, criado pelo paraense Carlos Castilho Jr.

O cardápio traz pratos como maniçoba, peixe com açaí e preparos com tucupi e jambu. O açaí, vindo de ilhas próximas a Belém, é servido sem xarope, respeitando a tradição.

Além dos pratos, dá para sair de lá com farinhas, molhos e cachaças amazônicas debaixo do braço. Num bairro que mistura moradores, turistas e apaixonados por gastronomia, a casa funciona como uma vitrine permanente da Amazônia.

Endereço: Teixeira de Melo, 37 – Ipanema

Saiba mais: @amazoniasoul

Arataca

Entre os nomes históricos da culinária amazônica no Rio, o Arataca ocupa um lugar importante. Criado nos anos 50, em Copacabana, foi um dos primeiros a apresentar esses sabores ao público carioca.

O cardápio traz clássicos como pato no tucupi, pirarucu e casquinha de caranguejo, receitas que ajudaram a consolidar a presença da cozinha do Norte na cidade. O açaí é servido natural, sem xarope ou açúcar, como deve ser.

Ao longo das décadas, a casa passou por diferentes fases e endereços, mas mantém sua matriz ativa e segue como referência quando o assunto é gastronomia paraense no Rio, com ambiente simples e comida de verdade.

Endereços: R. Domingos Ferreira, 41 – Copacabana

Belém Belém

Entre Copacabana e Ipanema, perto da orla, o Belém Belém nasceu em novembro de 2020, a partir da trajetória da paraense Mira, que começou preparando pratos típicos para amigos.

O cardápio reúne clássicos como vatapá, pato no tucupi e peixes amazônicos, além de drinques com frutas pouco comuns nos cardápios da cidade e combinações diferentes, como o pastel de queijo com cupuaçu.

A casa virou ponto de encontro da comunidade paraense e porta de entrada para quem ainda não conhece esses sabores.

Endereço: Av. Rainha Elisabeth da Bélgica, 122 – Copacabana

Saiba mais: @belembelemamazonia

Grão Pará

Discreto, em uma pracinha arborizada perto da praia, o Grão Pará funciona como uma mistura de restaurante e lanchonete com culinária paraense.

O açaí é o grande destaque, servido mais próximo da versão original, espesso e intenso. Pode vir com farinha ou acompanhamentos típicos, como camarão. No cardápio também aparecem unha de caranguejo e cubinhos de filhote com molho especial, além de pratos, sucos de frutas e menu degustação.

É um daqueles lugares que misturam memória afetiva e clientela fiel, no clima carioca que só Copacabana tem.

Endereço: R. Dias da Rocha, 9 – Copacabana

Saiba mais:  @graopara

Manicumã

O Manicumã representa uma nova geração da culinária amazônica no Rio. A casa, comandada pelo casal Luana e Bruno, nasceu em feiras gastronômicas e ganhou endereço fixo em Botafogo, com o propósito de apresentar de forma genuína os sabores de Manaus.

O destaque é o x-caboquinho, sanduíche típico feito com pão francês, queijo coalho, tucumã e banana frita. Também aparecem pratos como pirarucu de casaca e o vatapá amazonense, preparados com ingredientes que vêm diretamente da região Norte.

Num bairro cheio de bares autorais e cozinhas contemporâneas, o Manicumã traz sabor e autenticidade em receitas ainda pouco comuns na cidade.

Endereço: R. Henrique de Novais, 71 – Botafogo

Saiba mais: @manicuma_

Pescados na Brasa

O Pescados na Brasa é referência quando o assunto é culinária paraense no Rio. A casa, comandada pela chef Adriana Veloso, nascida em Belém, e pelo marido, José Maria, começou com churrasco de peixe na calçada e cresceu na base dos elogios. Hoje tem filial no Leblon, prêmio de Melhor Brasileiro do Veja Rio e uma fila de clientes que atravessam a cidade até a Zona Norte.

Os peixes de rio (filhote, tambaqui, pirarucu, caranguejo…) são preparados na brasa, como manda a tradição, e servidos com clássicos amazônicos, como tacacá, maniçoba e vatapá paraense.

Mais do que restaurante, o lugar funciona como ponto de encontro. Todo segundo domingo do mês, a rua vira extensão da casa, com carimbó ao vivo e clima de festa, misturando a cultura paraense com o jeito carioca de ocupar a calçada.

Endereço: Rua Vítor Meireles, 92 – Riachuelo | Rua João lira, 97 – Leblon

Saiba mais: @pescadosnabrasa

Tacacá do Norte

Aberto em 1973, no Flamengo, é um dos pioneiros da culinária amazônica no Rio. Pequeno e discreto, atravessa décadas servindo as mesmas receitas, por um bom motivo.

O tacacá é o grande protagonista: caldo quente de tucupi com goma de mandioca, camarão seco e jambu, servido em cuia. O formigamento na boca surpreende quem prova pela primeira vez.

Também há pato no tucupi e maniçoba, receita que exige dias de preparo e ingredientes que chegam de avião, direto da fonte.

Outro destaque é o açaí no estilo do Norte, mais encorpado e menos doce, muitas vezes acompanhado de farinha, peixe ou camarão seco, bem distante da versão popular das praias cariocas.

Endereço: R. Barão do Flamengo, 35 – Flamengo

Saiba mais: @tacaca_do_norte