Existe um jeito bem carioca de tirar chope, cujas origens remetem à segunda metade do século 19. Foi quando os primeiros bares de cerveja começaram a abrir no centro do Rio de Janeiro, resultado da chegada dos imigrantes europeus que começaram a espalhar a cultura cervejeira pela cidade, e pela Região Serrana. Eram ingleses, alemães e austríacos, principalmente, mas também suíços e dinamarqueses, que deram início a essa tradição: beber um chope gelado no bar da esquina é algo tão identificado com a cultura da cidade quanto ir à praia, à uma roda de samba ou a uma partida de futebol no Maracanã: é parte da identidade, da vida social e programa turístico obrigado para entender o Rio como ele é.

Naquele tempo em que o Brasil ainda era um Império, um determinado bar, e uma fábrica de bebidas, então chamada Cerveja Brahma Villiger & Companhia, estabeleceram pela primeira vez um modo de servir cerveja fresca e muito gelada. O processo se dava através de um até então inovador sistema de refrigeração em longas serpentinas de cobre imersas em muito gelo picotado, em escamas. A birosca germânica, nascida em 1887, foi batizada de Zum Schlauch, é um ano mais velha que a cervejaria, e foi fundamental na popularização do chope entre os cariocas. O botequim germânico depois mudou de nome, até virar Luiz, e a cervejaria também, passando a se chamar Brahma (Essa história está bem detalhada nesse post aqui).

Hoje o Rio tem vários excelentes bares que servem chopes artesanais, muito produzidos na própria cidade, e no Estado. São lugares como Brewteco, Choperia Cotovelo, Delirium Café, Herr Pfeffer, Hocus Pocus DNA, Colarinho e Rio Tap House, por exemplo. Eles não entram na nossa seleção de melhores chopes do Rio, porque o recorte que fizemos neste post diz respeito aos chopes tradicionais à moda carioca.

Eles devem ser servidos perto do zero grau, de preferência em copos tipo Schnitt, em formato ligeiramente cônico (quando tem 200 ml é chamado de garotinho). Esse tipo de copo valoriza a espuma, que é fundamental para manter a temperatura e o gás carbônico, e alguns bares, como o Adonis, são taxativos: “Não servimos chopp sem colarinho”, está escrito no balcão, logo abaixo da histórica chopeira desse clássico de Benfica, e da boemia carioca.

Com base nessa tradição, fizemos uma seleção de dez lugares que servem chope nesse padrão carioca. É uma cerveja que é classificada como uma American Lager, com teor alcoólico de 4,8%, e corpo baixo, leve e refrescante, com amargor moderado, e que deve ser servida ao redor de 0 ºC, um um pouquinho menos.

Todos, sem exceção, são consagrados como Patrimônio Cultural Carioca pela Prefeitura, e o chope impecável faz parte dessa merecida condecoração.

Adega do Pimenta

O tradicional bar alemão de Santa Teresa foi criado nos anos 1980, pelo alemão Holf Pfeffer, que era mestre cervejeiro da Brahma. Em 1995 a casa foi comprada por William Guedes, antigo cliente, que manteve o legado do chope bem tirado. É uma das referências na cidade, onde podemos pedir o famoso chope bicolor, claro e escuro, de modo que os líquidos não se misturam.

Endereço: R. Alm. Alexandrino, 296 – Santa Teresa, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @adegadopimenta

Adega Pérola

Todos os dias a casa recebe seus barris, o que garante o frescor do que é servido ali. No balcão quem dá as cartas é o Beto, histórico tirador de chope, com cerca de 40 anos de serviços prestados à boemia carioca. Peça o garotinho nos dias quentes, e perceba a perfeição.

Endereço: Rua Siqueira Campos, 138 – Copacabana, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @adegaperola

Adonis  

Fundado em 1952, o bar é uma instituição carioca. Chegou a fechar as portas, mas reabriu em 2019, deve de breve período de portas arriadas. O dado curioso é que no período a famosa chopeira foi roubada. O chef João Paulo Campos descobriu que ele estava num ferro-velho no Jacaré, e conseguiu recuperar essa relíquia, que continua cumprindo a sua missão gloriosa de tirar um dos melhores chopes do Rio.

Endereço: R. São Luiz Gonzaga, 2156 – Benfica, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @velhoadonis

Bar Brasil

Endereço histórico, faz parte dos bares alemães lendários, com mais de 100 anos de atividades. Fundado em 1907, tem uma célebre serpentina de cobre com 66 metros de comprimento, o que garante aquela temperatura perfeita. Vem servido no copo Schnitt, com cremosidade notável, e na medida exata – cerca de dois dedos de espessura.

Endereço: Av. Mem de Sá, 90 – Lapa, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @bar.brasil

Bar da Amendoeira  

Esse clássico de Maria da Graça é uma viagem no tempo. O prédio de esquina tem tons de azul na decoração, e cobogós dividindo o salão. Aos sábados, que é um excelente dia para visitar esse bar, a casa serve um concorrido angu à baiana, que acaba cedo. Pelas paredes desse bar inaugurado em 1962 há várias placas, atestando a qualidade do chope dali, e registrando a venda gigante.

Endereço: R. Conde de Azambuja – Maria da Graça, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @bardaamendoeira01

Bar Lagoa  

Seguindo a linha dos bares alemães tradicionais, esse endereço histórico da cidade abriu as portas em 1934, como Bar Berlim – nome que teve que mudar durante a Segunda Guerra Mundial (assim como aconteceu com o Bar Luiz, que se chamava Adolf; e o Bar Brasil, que era Zeppelin). Mantém a atmosfera antiga, da inauguração, e tem uma varanda das mais agradáveis para beber um chope, com vista para a Lagoa.

Endereço: Av. Epitácio Pessoa, 1674 – Lagoa, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @barlagoa

Belmonte

A rede é um fenômeno: é a maior vendedora de chope do Rio. São nada menos que 700 mil litros por mês, com direito a um centro de distribuição exclusivo, o que ajuda a manter o frescor. Assim como acontece com as empadas, as bandejas cheias de chope circulam pelo salão, saciando a sede dos clientes, que aumenta conforme sobem as temperaturas.

Endereço: Praia do Flamengo, 300 – Loja B – Flamengo, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @boteco_belmonte

Bracarense

Dirceu comanda a chopeira há mais de 30 anos, o controle de qualidade em pessoa, figura lendária da boemia carioca. Alguns passam rápido pelo balcão, para beber um garotinho e comer um bolinho de aipim com camarão e Catupiry. Outros passam a tarde toda nas mesas da calçada, agora protegidas da chuva.

Endereço:  R. José Linhares, 85 – Leblon, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @bar_bracarense

Galeto Sat’s

A unidade de Botafogo jorra litros e litros de chope a cada madrugada, quando vira ponto de encontro das mais diversas tribos do Rio. Todo mundo se encontra no Sat’s, e uma das principais razões é o chope que sai sempre no grau, gelado, com colarinho na medida, padrão. Como sempre diz o sócio Sergio Rabello, mestre de cerimônias da boemia carioca: “meu compromisso é com quem bebe”.

Endereço: R. Real Grandeza, 212 – Botafogo, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @galetosats

Jobi

O Jobi não é grande. Não cabe muita gente lá dentro, mas esse bar lendário tem a calçada, que vive cheia, especialmente nas madrugadas do Leblon, quando os garçons, conhecidos pelo nome por boa parte dos frequentadores, vive a frenética rotina de servir chopes às dezenas para a clientela sempre sedenta.

Endereço: Av. Ataulfo de Paiva, 1166 – Leblon, Rio de Janeiro

Saiba Mais: @bar_jobi