A Tijuca é celeiro de grandes bares. O Restaurante Salete, fundado em 1957, é um dos mais consagrados, um clássico do bairro, e um dos botequins com título merecido de Patrimônio Cultural Carioca. Trata-se de um ícone da cidade, famoso por suas empadas tantas vezes premiadas como as melhores do Rio, e seus pratos que traduzem fielmente um cardápio local típico, com seu DNA ibérico que se faz representar.
Uma receita emblemática é o risoto de camarão,  hoje servido na panela de pedra, farto como sempre, e generoso na quantidade do crustáceo, úmido e vermelho de tomate, do jeito malandrinho. O polvo à Salete, com batatas ao murro, cebolas grelhadas e arroz de brócolis, com alho em abundância, pede azeite e pimenta da casa, forte como se deve, e representa essa linhagem gastronômica do botequim carioca.
Do mesmo modo que a lista de petiscos, capitaneada por bolinhos de bacalhau, de feijoada e de costela com agrião, os pastéis variados. Podemos pedir de tira-gosto vinagrete de polvo, espetinho de alcatra com molho à campanha e farofa, frango à passarinho e gurjoes de peixe ou frango, com molho rosé, mas é claro. Carne seca com aipim não falta: o que pode ser mais carioca que isso?
O cardápio começa com a lista de empadas: a de camarão é a campeã de vendas, com sua massa deliciosamente quebradiça, e recheio cremoso. Há versões criadas para o concurso Comida di Buteco, como as de costela com agrião, de calabresa e de carne moída. A de camarão especial é flambada na cachaça, e leva alho poró e Catupiry. Faz jus ao nome, ê de fato muito distinta e digna de nota. Também existem sabores doces, de chocolate e de maçã com canela.
O chope bem gelado, tirado como se deve, completa as principais virtudes da casa, que tem ambiente tradicional, com paredes de azulejos azuis e brancos, e o piso preto e branco, tudo à moda antiga. Garçons com gravata borboleta e colete completam o cenário clássico de um botequim. Há muitos quadros pendurados, com recortes de jornal e muitos prêmios e reconhecimentos como botequim de referência.
Quando pensamos nos pratos principais, além do célebre risoto de camarão, e também de polvo e de frango, com meias porções capazes de saciar a fome de dois, há receitas emblemáticas da cultura botequeira tradicional do Rio.
Encontramos filé à Oswaldo Aranha, e também à francesa, e à parmegiana. Do mar, temos camarão à milanesa, moqueca de peixe, feijoada de frutos do mar, bobó de camarão e paella, anunciada como novidade. Recentemente lançaram camarão empanado na panko, com risoto de limão siciliano e curry, bem cosmopolita. Filé de peixe ao molho de camarão? Tem.
Não poderia faltar uma receita de bacalhau. Pois tem o da Dona Martha, que é desfiado, e preparado com batatas coradas, pimentões, cebolas, ovos cozidos, azeitonas verdes, e servido com arroz de brócolis.
São seis pratos com espaguete: bolonhesa, frutos do mar, polvo e de camarão ao limão entre eles.
Naturalmente, para a sobremesa podemos escolher pudim de leite, Romeu e Julieta, com sorvete de queijo e calda de goiabada mineira, e uma telha de parmesão, mousse de chocolate e petit gateau com sorvete de creme.
Para fechar, o Salete está bem perto do Maracanã, e é um tradicional reduto de torcedores antes e depois dos jogos. Ali, no coração da Tijuca, onde o Rio pulsa.
Repetindo a pergunta: o que pode ser mais carioca que isso?
Endereço: Rua Afonso Pena, 189 - Tijuca, Rio de Janeiro
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