Alguns lugares são tão bons que dão vontade de comer, beber, tatuar e defender. O Galeto Sat’s é um desses.
Nascido em Copacabana em 1962, das brasas quentes e da visão espanhola de Garcia e Rivera, o Sat’s nunca precisou de muito para virar lenda. Apenas foi ficando. Acendendo fogo, ganhando fumaça, acumulando madrugadas, como um samba que atravessa décadas sem mudar a batida.
Hoje, 63 anos depois, segue firme como instituição da boemia carioca, cheio de histórias e sabores. Agora com três endereços (Copacabana, Botafogo e Barra), título de Patrimônio Cultural do Rio, coleção de roupas e até gente que tatua seu nome como quem eterniza um amor.
O cardápio entrega prazer sem firula: barriga de porco, linguiça, corações de galinha em porção generosa e pão de alho — esses dois últimos devem ser pedidos sempre juntos, pra comer como sanduichinho. Fica a dica! E, claro, o galeto dourado, servido com arroz de brócolis, batata portuguesa e farofa de ovo.
Para acompanhar, chope bem tirado, caipirinhas caprichadas e uma carta de cachaças à altura da casa. Saideira ali raramente é a última.
Em 2010, quem assumiu a brasa foram os Rabello. Serjão e Elaine, antigos clientes que viraram donos, souberam transformar o Sat’s sem mexer no que o tornava um clássico. Hoje, os filhos Rafaela e Raoni ajudam a manter o legado aceso.
Em 2023, o Sat’s de Botafogo acabou envolvido em um capítulo inesperado da vida carioca, quando seu nome surgiu nas especulações sobre a traição de Chico, ex-namorado de Luisa Sonsa, no banheiro do bar. Por alguns dias, o banheiro virou curiosidade nacional. Mas ali nada se molda por polêmica. Continuou tudo igual: chope gelado, galeto no ponto e garçom que te chama pelo nome. Quem chegou por curiosidade ficou pelo conjunto.
É lá que muito rolé termina e onde muita história começa. É mesa de DR às duas da manhã, encontro que vira romance, aniversário que vira churrasco e churrasco que vira almoço em uma terça-feira qualquer. É cenário de confissão, de risada alta, de vida real acontecendo sem roteiro.
O Sat’s virou personagem da cidade. Um bar com identidade própria que vende camisetas com frases como “sempre acaba aqui” e “todo dia é dia de Sat’s”. É merchan? É. Mas acima de tudo é pertencimento. Prova disso é o historiador Gabriel Trigueiro, que tatuou “Coração do Sat’s, gostoso D+” no braço, com franguinho e tudo.
Um lugar de verdade. Que marca mais que as madrugadas. Que enche a barriga e o coração. Um lugar onde quem vai sempre volta e quando volta, vira cliente fiel!
Endereço: Rua Barata Ribeiro, 7 - Loja D - Copacabana Rua Real Grandeza, 212 - Botafogo Estrada do Joá, 3962 - Joá
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