No novo São Miguel Restaurante, inaugurado há poucos dias em Botafogo, o prato chamado filé São Miguel é um dos queridinhos da casa: foi indicada para mim pela garçonete, pela bartender, pelo sócio-gestor e pelo chef. Não resisti, e acabei pedindo o lindo steak de mignon, assado na churrasqueira, que é servido sobre um molho secreto, que não foi revelado por nenhum dos quatro. Quando foi servido, o próprio criador da receita foi até a mesa com servir o pedido pessoalmente, mostrando (depois justificável) apreço por sua criação.
– Quero ver adivinhar o que tem no molho – desafiou.
– À primeira vista, leva creme de leite. Deixa eu provar. Café, tem café – eu disse, convicto.
Eu estava certo.
Curioso é que eu estava justamente na semana de fechamento de uma matéria sobre usos diversos do café na gastronomia, fugindo um pouco do óbvio do tiramisù e outros preparos tradicionais.
Lembrei de cara de um prato cuja origem acompanho desde os tempos de Olympe: trata-se do atum com nabo e kombucha de café, um dos destaques do menu degustação do Oseille, em Ipanema, estrelado pelo Michelin, um prato que há cerca de dez anos vem evoluindo pelas mãos de Thomas Troisgros.
Vi também que para marcar a passagem da Shakira pelo Rio a Momo Gelateria criou um sabor especial, receita que combina chocolate ao leite, café colombiano, brigadeiro e farofa de brownie. Chamado Shakira in Rio, é um dos sabores sazonais, uma tradição na rede de sorveteria. Deu vontade? Melhor correr, antes que acabe…
Selecionamos uma entrada, um prato principal, uma sobremesa e um drinque, quatro exemplos de como o café pode ser usado elemento de destaque, mas de modo bem ousado, em combinações inesperadas.
Oseille
A receita vem evoluindo positivamente ao longo da última década, até chegar á fórmula atual: precisa, leve, refrescante e muito surpreendente. “A primeira vez que fiz no Olympe foi com ostra. Depois, um pouco mais para a frente passou a ser vieira”, diz Thomas Troisgros, que hoje usa a barriga de atum bluefin na sua ousada criação, em linda montagem que se combina com nabo e kombucha de café. R. Joana Angélica, 155 – Loja B – Ipanema. @oseillerestaurantA receita vem evoluindo positivamente ao longo da última década, até chegar á fórmula atual: precisa, leve, refrescante e muito surpreendente. “A primeira vez que fiz no Olympe foi com ostra. Depois, um pouco mais para a frente passou a ser vieira”, diz Thomas Troisgros, que hoje usa a barriga de atum bluefin na sua ousada criação, em linda montagem que se combina com nabo e kombucha de café.
São Miguel
Sua posição, abrindo o menu de pratos principais da casa, e o próprio nome, Filé São Miguel, já indicam que se trata de um carro-chefe da cozinha, uma criação do chef Fred Xavier, que não por acaso é envolvido com o negócio do café. Trata-se de um steak de mignon perfeitamente grelhado, servido sobre molho cremoso que tem café, noz moscada e outros temperos, servido com ovo frito e arroz de amêndoas crocantes. Só provando para ver como é bom.
Endereço: R. Assunção, 33 – Botafogo
Saiba mais: @saomiguelrestaurante
Emile
O chef argentino Bernabé Simón Padrós lançou há pouco tempo o seu menu de estreia no comando da cozinha do Emile, no térreo do hotel Emiliano, em Copacabana. Com passagem por longo tempo por restaurantes peruanos premiados, ele apresenta uma proposta gastronômica cheia de latinidade, onde cruza ingredientes e técnicas que transitam por vários países do continente americano, do Chile ao México. A sobremesa com cacau, café e missô traz leveza, delicadeza, contraste de texturas e um sabor equilibrado, conjunto que impacta, como lindo encerramento.
Endereço: Hotel Emiliano, Av. Atlântica, 3804 – Copacabana
Saiba mais: @restaurantemile
Liz Cocktail e Wine
O uso do café na coquetelaria é comum. Estão aí o Espresso Martini, o Carajillo e o Irish Coffee para comprovar, três clássicos da coquetelaria. Portanto, café e bar de drinques são velhos conhecidos, e em qualquer casa do gênero vai ter as suas receitas. Mas, Tai Barbin, do Liz, um dos mais premiados bartenders da cidade, mostra especial apreço. Em sua casa, no Leblon, podemos pedir coquetéis consagradas, fora da carta. Mas, além disso, ela tem duas receitas autorais que levam café, e mais um mocktail (sem álcool): o Missô Espresso, com Bourbon Maker’s Mark, licor de café, missô e café espresso; e o Black Negroni, com Gin Beefeater, Campari, Amaro Averna, Cinzano Rosso e grãos de café, além do sóbrio e refrescante Espresso Tonic, feito com água tônica Prata, café espresso e laranja.
Endereço: Rua Dias Ferreira, 679A – Leblon
Saiba mais: @lizcocktailewine























