A calçada que envolve o Boteco Rainha tem pedras portuguesas. As paredes são forradas de azulejos azuis e brancos, com janelinhas que remetem à arquitetura colonial. Na aparência, trata-se de uma casa portuguesa, com certeza. O botequim idealizado pelo chef Pedro de Artagão durante a pandemia abriu as portas em 2020 inspirado na tradição ibérica que forjou a cultura gastronômica carioca. Isso significa dizer que, além de petiscos e pratos de origem lusitana há espaço ainda para receitas que são tradição dessa Cidade Deliciosa, como o icônico filé à Oswaldo Aranha que tem uma vantagem em relação a muitas casas: a carne é grelhada na brasa.
Mas, vamos primeiro falar de entradas, petiscos e outros acepipes, que vão costurando as cozinhas de Portugal, Espanha e Rio de Janeiro. No abre-alas do menu encontramos um setor chamado “Mais Pedidos”, com torresmo de barriga, punheta de bacalhau, vinagrete de polvo, e caldinhos de feijão e de frutos do mar. Posso recomendar os cinco, com a boa pimenta da casa, por favor. Logo em seguida está outro emblema do Boteco Rainha: é o Bar Gelado, com conservas, como batata-calabresa, pimentão e azeitonas marinados, queijos… e quem quiser misturar tudo pode pedir o mix de acepipes.
Vamos listando praticamente um repertório de petiscos clássicos, com sardinhas fritas, pastel de Catupiry, lula à dorê, carne assada aperitivo e mignon ao Madeira. A seleção de salgadinhos tem de tudo: empadas, pastéis, croquetes, rissoles, bolinhos de bacalhau e camarão envolto por Catupiry, para então ser empanado e frito.
Há, ainda, saladas, sanduíches, e burgers na brasa. Podemos ir de prego (filé, queijo prato e alho confitado), filé com queijo e carne assada com queijo, por exemplo. Tem até torresmo de barriga com queijo… E um burger chamado Minetta, homenagem a esse emblema de Nova York, com blend da casa com 180g, cheddar e cebola dourada; e o Luger, que remete à mais famosa steak house do mundo, no Brooklin, um blend de 180g, com queijo prato, bacon fatiado crocante e cebola crua.
Difícil escolher, né?
O mesmo se passa na hora de pedir os pratos principais, se é que vamos chegar neles, porque podemos ser muito felizes só na primeira parte do cardápio. Mas, vamos lá: tem galeto à moda da Gávea, em referência (e reverência) ao famoso Braseiro da Praça Santos Dumont; bobó de camarão, arroz de costela e até um bife à cavalo com arroz, feijão e fritas.
A seção chamada “Pesca do dia” tem camarão cinza, camarão VG, polvo, cavaquinha e lagostim. Depois de selecionado o pescado, escolhemos o modo de preparo: à Ramiro (manteiga, salsa e alho), à provençal (manjericão, tomate e vinho branco) e à Bulhão Pato (azeite, alho e coentro).
Lá no fim do menu estão os “Clássicos da Brasa”, com pão de alho, sardinha, coração e linguiça, para petiscar, além de galeto, picanha, lombinho de porco, polvo e bacalhau. Guarnições, pedimos à parte. À moda da Gávea (arroz maluco, batata frita, salada de tomates e palmito); à Rainha (arroz branco, farofa de ovos, batata frita e molho à campanha), à francesa (é claro, com batata palha, cebola, presunto e ervilha) e à mineira (arroz branco, tutu de feijão, ovo cozido e couve na frigideira com alho), além da Oswaldo Aranha, entre outras, como a chamada fit, com legumes grelhados e salada mista (democracia é tradição dos bares cariocas, e é preciso agradar a todos).
Que tal pedir uma Salada Plataforma, que nos recorda da famosa churrascaria do Leblon, com folhas verdes, cenoura, tomate, palmito, bacon, parmesão, croutons de alho e molho mostarda?
O Boteco Rainha gabaritou o cardápio clássico da gastronomia tradicional carioca. Com louvor, tornou-se ícone. Nascido no Leblon, ganhou unidades no Rio Design Barra, e também em São Paulo, Campinas e Goiânia. Quem quiser entender um pouco o Rio encontra ali o que se come na cidade, deliciosamente.
Endereço: Rua Dias Ferreira, 247 - Leblon, Rio de Janeiro Siga: @boteco_rainha























