Quem vê de longe talvez ache que é só mais um bar carioca com chope gelado e tira-gosto honesto. Quem senta, entende o ritual. Instituição nacional com sotaque do Rio e mente cearense, o Boteco Belmonte fundado em 1952, foi transformado num império gastronômico por um ex-garçom do interior do Ceará que fez da simplicidade uma arte.

O bar nasceu no número 300 da Praia do Flamengo. Mas foi só em 2001, quando Antônio Rodrigues, que começou como garçom e resolveu comprar o ponto, que o jogo virou. Ele entendeu cedo que um bom bar precisa ser bonito, farto, memorável e, sobretudo, constante.

Desde então, o Belmonte virou uma espécie de república informal do Rio. Quem passa pela porta entra num território onde a empada é patrimônio, os bolinhos circulam como joia popular e o chope não para nunca. Quando você chega ao último gole, o garçom surge com uma bandeja de calderetas recém-tiradas (não duas ou três, mas mais de dez) equilibradas na coreografia precisa de quem conhece o salão de olhos fechados. E é difícil esquecer a empada aberta de camarão com catupiry, símbolo da casa: sem tampa, recheio transbordando, servida fumegante e com cara de que vai desabar. Mas não desaba.

O cardápio é uma aula de botequim. Tem bolinho de feijoada. Pastel de siri, de polvo e até de picanha. Tem carne-seca com aipim, filé à Oswaldo Aranha, feijão amigo e a tradicional sopa Leão Veloso. Porções generosas, pensadas para serem partilhadas, como todo bom exagero carioca. Tudo chega rápido, quente e no ponto certo, seja em Copacabana, na Lapa ou no Itaim, em São Paulo.

O Belmonte cresceu, mas não se perdeu. O bar virou rede, a rede virou grupo e o grupo virou marca. Hoje está espalhado por vários bairros do Rio e também pela capital paulista. São mais de 20 unidades entre Belmontes e casas icônicas adquiridas por Antônio, como o Amarelinho, no Centro, o japonês Azumi, no Leblon, e a mais recente investida, a Padaria Ipanema (totalmente reformada e hoje funcionando também como restaurante e bar 24h). Não há chef-celebridade assinando o menu. O estrelado é ele: circula pelas casas, supervisiona pratos, conversa com clientes, ajuda atrás do balcão e segue presente no dia a dia.

Talvez o maior feito do Seu Antônio não tenha sido criar um império do boteco, e sim preservar a aura das esquinas que resistem ao tempo, símbolos da cidade e marca registrada, afinal, todas as unidades seguem essa vocação, com exceção da primeira. Lugares onde o colarinho do chope é mais sagrado que qualquer regra e onde o garçom te chama de “meu chefe” com atenção genuína. Uma perfeita combinação de boemia carioca com estratégia empresarial.

Em 2023, a matriz foi reconhecida como patrimônio cultural do Rio. Placa oficial na parede, foto no jornal, selo da Prefeitura. Para quem frequenta, já era patrimônio há décadas.

Hoje, o Belmonte se espalha pela cidade sem perder identidade, cada unidade com seu próprio cenário: no Flamengo, mesas na calçada e clima acolhedor; em Ipanema, rooftop com vista para o mar; no Jardim Botânico, ritmo tranquilo; no Leblon, calçada sempre cheia.

É um botequim com roteiro próprio, reconhecível em qualquer esquina. Que só quem já foi, entende. E em breve, vem mais novidades por aí!

Endereço: Av. Vieira Souto, 236 - Ipanema
Rua Jardim Botânico, 617 - Lagoa
Rua Dias Ferreira, 521 - Leblon
Praia do Flamengo, 300 - Loja B - Flamengo
Av. Atlântica, 514 - Leme
Rua Domingos Ferreira, 242 - Copacabana
Av. Mem de Sá, 82 - Lapa
Siga: @boteco_belmonte