O Centro do Rio tem museu, tem história, tem arquitetura e tem boa mesa! Para quem já conhece os passeios históricos e culturais do bairro, este guia resolve a outra parte do roteiro: onde sentar, comer e beber bem entre uma atração e outra.

A cena gastronômica do bairro vive um momento fora do comum. Novos endereços abrem em prédios históricos recuperados, chefs reconhecidos apostam no Centro e casas centenárias seguem firmes. O resultado é uma diversidade de mesas que vai da cozinha de terreiro ao American BBQ texano, do botequim com fogão a lenha à confeitaria tombada como patrimônio. A seguir, os melhores endereços para o seu roteiro pelo centro do Rio de Janeiro:

Na Praça Mauá: o Edifício Touring

O Edifício Touring reabriu as portas em dezembro de 2025 como polo gastronômico e logo se tornou um dos endereços mais comentados do Centro. O prédio é de 1928, art déco e que por décadas abrigou o Touring Club do Brasil. Depois de anos fechado, voltou com quatro casas do Grupo Belmonte.

No térreo, o Boteco Belmonte ocupa o salão principal com as empadas abertas e os petiscos que já fazem sucesso nas outras unidades da rede pela cidade. Ao lado, o Azumi ganhou espaço novo com a mesma proposta de Copacabana: culinária japonesa tradicional. No segundo andar, o Il Piccolo serve massas artesanais em ambiente mais tranquilo, com terraço de frente para a Baía de Guanabara. No topo, o Acervo Bar funciona à noite com coquetéis, DJs e vista aberta. E para os amantes de café da manhã e brunch a mais recém chegada Padaria Ipanema.

O edifício fica entre o Museu do Amanhã e o MAR, na Praça Mauá.

Endereço: Praça Mauá – Saúde, Rio de Janeiro

No Largo da Prainha: churrasco, angu e samba

O Largo de São Francisco da Prainha, no sopé do Morro da Conceição e ao lado da Pedra do Sal, é um dos pontos mais autênticos do Centro. No centro do largo está a estátua de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do corpo de baile do Theatro Municipal. Ao redor, bares e restaurantes que funcionam como ponto de encontro cultural e gastronômico.

O Bafo da Prainha é o nome mais badalado do pedaço. Aberto em 2021 por Raphael Vidal, o bar virou fenômeno. O cupim de colher com macarronese é o prato mais pedido (e com razão!), as batidas super cremosas são um sucesso e a roda de samba acontece com frequência. O bar foi eleito o melhor do Rio pela Veja Rio e um dos dez melhores bares do mundo pela revista Time Out.

Ao lado, a Casa Porto, serve caldinho de feijão, caipirinha e prato feito em panelinha. O Restaurante Dois de Fevereiro, também do grupo, tem a cozinha do chef João Diamante, focada na culinária baiana. E o Angu do Gomes é um capítulo à parte na história carioca: nasceu em 1955 das carrocinhas de angu com miúdos que se espalhavam pelas ruas do Centro. Hoje no largo desde 2008 é Patrimônio Cultural Carioca.

Endereço: Largo São Francisco da Prainha – Saúde, Rio de Janeiro

Na Pequena África: comida como ato político e ancestral

A Casa Omolokum fica na Ladeira da Pedra do Sal, no coração da Pequena África. A chef Leila Leão comanda uma cozinha de terreiro em que cada prato carrega o nome de um orixá e os ingredientes dialogam com as características dessa entidade. O acarajé e o omolokum (prato de feijão fradinho com ovo e camarão) são os mais pedidos. A casa funciona como coletivo: tem livraria especializada em literatura negra e coquetelaria com drinks tropicais.

Endereço: R. Tia Ciata, 51 – Saúde, Rio de Janeiro

No CCBB: almoço antes ou depois da exposição

Quem visitar o Centro Cultural Banco do Brasil pode almoçar dentro do próprio prédio. O Lilia Bistrô é a filial do Lilia Restaurante, e segue a mesma filosofia da matriz: cardápio sazonal que muda conforme a disponibilidade dos ingredientes, com foco em orgânicos e muito fogo. O térreo serve bolos, tortas e salgados durante todo o expediente; o mezanino funciona no horário de almoço com menu fechado em três etapas.

Endereço: Banco do Brasil – CCBB – Centro Cultural – R. Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro

Na Rua do Senado: burburinho do bairro

A Time Out elegeu a Rua do Senado a rua mais legal do mundo em 2025 e parte desse reconhecimento passa pelo Lilia Restaurante, do chef Lúcio Vieira, um dos primeiros a se instalar na região e a ajudar a impulsionar esse movimento.

O Lilia funciona em um sobrado discreto, com tijolos à vista. Na cozinha, o chef Yan Ramos trabalha com produtos frescos e um cardápio que muda com frequência, de acordo com a oferta dos produtores. No almoço, a casa serve menu fechado em três etapas, a preço fixo. No jantar, à la carte e menu degustação de onze etapas. O restaurante entrou no Bib Gourmand do Guia Michelin em 2024 e integra o The 50 Best Discovery.

O Labuta Bar e o Braseiro Labuta completam o eixo do grupo na rua. O Labuta tem clima de pé-sujo, cadeiras de praia na calçada, ostras, petiscos e drinks. O Braseiro veio depois, em 2023, com foco nos grelhados, como coração, galeto e picanha. Aos sábados, logo ao lado, o Samba do Armazém Senado movimenta a rua.

A Destilaria Maravilha reforça a cena de bares com destilados produzidos na casa, como gin, vodca e cachaça. E um dos endereços mais recentes é o Mercado Central RJ, inaugurado no início de 2026 nos seis casarões históricos que abrigaram, por mais de um século, a fábrica da perfumaria Granado. Agora, o complexo reúne bares, restaurantes e espaços de economia criativa.

Já a Hamburgueria da Alfândega um clássico da região, fecha a lista com chave de ouro, ideal para quem busca um bom hambúrguer artesanal a qualquer hora do dia.

Endereço: R. do Senado – Centro, Rio de Janeiro

Fábrica Bhering: arte e comida em um galpão histórico

A antiga fábrica de chocolates e café hoje é um polo criativo de seis andares na Zona Portuária. Ateliês, galerias, livraria e gastronomia dividem o espaço num prédio de estrutura de aço importada da Alemanha, elevador pantográfico original e terraço com vista para o Centro e para a Baía.

Para comer e beber, o passeio passa pelo De Rose Café e Bistrô, no térreo, com comida afetiva, café da manhã e almoço executivo; pela TÁBIKÒFI, dedicada aos cafés especiais; pelo Mix Natura, com almoço saudável; pelo Ricardo Freitas Ateliê Gastronômico com clássicos da cozinha brasileira; e pela Conflor Vegan, confeitaria vegana. No primeiro sábado de cada mês, os ateliês abrem ao público com entrada gratuita, apresentações musicais e cardápios especiais nas casas.

Endereço: R. Orestes, 28 – Santo Cristo, Rio de Janeiro

Confeitarias históricas: uma pausa no tempo

O Centro do Rio guarda três confeitarias que são patrimônio vivo da cidade. Visitá-las não é só parar para um café: é entrar num Rio que não existe mais em nenhum outro lugar.

A Casa Cavé, na esquina da Rua Sete de Setembro com a Uruguaiana, é a mais antiga. Fundada no século XIX, o casarão tombado teve como frequentadores Dom Pedro II, Olavo Bilac, Chiquinha Gonzaga e Carlos Drummond de Andrade. O pastel de nata e o mil folhas são as pedidas mais clássicas.

A Confeitaria Manon, na Rua do Ouvidor desde 1942, tem salão que replica o interior do transatlântico Serpa Pinto. Tombada pela Prefeitura desde 1993, a casa virou ponto turístico obrigatório depois de ter sido cenário de Ainda Estou Aqui, o primeiro filme brasileiro a ganhar o Oscar. O carro-chefe é o Madrilenho, pãozinho doce com creme e goiabada.

A Confeitaria Colombo, de 1894, é a mais conhecida internacionalmente, com arquitetura elegante e singular, balcão recheado de delícias e clássicos como a coxinha e o mil-folhas de creme, justificam a fila na porta.

Endereços fora do óbvio

O Capiau, no Beco das Sardinhas, perto do Largo de Santa Rita, é o único botequim com fogão a lenha do Rio. Mais uma empreitada de Raphael Vidal, com Diego Melão na cozinha, servindo delicias como carne de lata, frango caipira, língua, sardinha e torresmo.

O Low Fire Smokehouse, na Rua da Alfândega, foi o primeiro American BBQ do Rio e funciona desde 2019. O aroma do pit smoker já entrega o cardápio antes de subir a escada: brisket, pulled pork, pork ribs e Hammer Steak, corte retirado da canela e defumado por seis horas.

A Choperia Cotovelo fica na Rua da Carioca, em dois sobrados de 1877, e reúne rótulos das cervejarias Búzios e Tio Ruy em dez torneiras. No cardápio, a bebida também aparece nas receitas, como na Costela à Zicartola, feita com cerveja preta a partir da receita original de Dona Zica, no croquete de costela com IPA e até no pudim.

O Demi-Glace é referência de almoço no Centro, com unidades nas ruas Gonçalves Dias, México, Lavradio e Ubaldino. O almoço combina buffet livre, sobremesas inclusas e cortes grelhados à la carte. 

Os clássicos que não precisam de apresentação

Nenhum roteiro gastronômico do Centro se fecha sem eles. São casas que atravessaram governos, reformas urbanas e mudanças de hábito sem perder o essencial: a boa mesa!

O Rio Minho, fundado em 1884 na Rua do Ouvidor, é o restaurante mais antigo do Rio. Cozinha portuguesa de influência galega com foco em frutos do mar. A sopa Leão Veloso, foi criada lá no início do século XX em homenagem ao diplomata Pedro Leão Velloso Neto, e leva camarão, polvo, lula, cherne e mexilhões num caldo inspirado na bouillabaisse de Marselha.

A Casa Urich, aberta em 1913, mantém a culinária alemã no Centro com receitas do cardápio original. O kassler defumado com chucrute e salada de batata é o carro chefe, mas a língua com purê de batatas e ovos estalados também é indispensável.

A Casa Paladino, desde 1906 na esquina da Uruguaiana com a Marechal Floriano, funciona como armazém e bar ao mesmo tempo: prateleiras de madeira com vinhos e importados, chope Brahma bem tirado e omelete de bacalhau. Um dos mais antigos bares do Rio ainda em funcionamento.

O Restaurante Málaga, na Rua Miguel Couto, é a obsessão silenciosa de quem trabalha no Centro. A decoração parou nos anos 1970 e o leitão assado à Bairrada é o prato que quem prova sempre volta e indica.

O Nova Capela, na Av. Mem de Sá desde 1967 mas com história que começa em 1903 na Lapa, é parada certa para encerrar uma noite com o cabrito assado com arroz de brócolis e batatas coradas. A casa fica aberta até de madrugada, com bolinho de bacalhau de respeito e chope gelado o tempo todo.

O Amarelinho, Patrimônio Cultural Carioca desde 2021, existe desde 1921 na Praça Floriano, de frente para o Theatro Municipal. Frequentado por Oscar Niemeyer e Vinicius de Moraes, mantém o visual original e recebeu nova gestão que caprichou no chope Brahma e nos petiscos. Samba e chorinho ao vivo nos fins de semana.