Estamos na era do omakase. Está no hype, virou desejo e caiu de vez no gosto brasileiro. No Rio, o movimento ganhou ainda mais força, com balcões disputados e uma nova leva de chefs apostando no formato.
Omakase, expressão japonesa que significa “deixo por sua conta”, é, na prática, um menu degustação conduzido pelo chef. Mas a experiência vai muito além da confiança. Ela começa no formato: diferente dos menus degustação tradicionais, aqui não há mesas. O lugar do cliente é no balcão, de frente para quem prepara cada etapa.
É ali que tudo acontece. O chef corta, monta e finaliza peça por peça diante do cliente, no tempo exato de servir. Muitos sushis chegam para serem comidos com as mãos, respeitando temperatura, textura e frescor. Não há pressa, mas também não há distração. O ritmo é ditado pela sequência.
Há variações. Alguns balcões são mais sofisticados, com ingredientes raros e execução mais ortodoxa. Outros são mais despojados, com liberdade criativa. Em comum, todos mantêm a proposta intimista, com poucos lugares e foco absoluto no produto.
No Rio, esse hype ganha ainda mais sentido pela proximidade com o mar. Cada vez mais, os chefs voltam o olhar para espécies frescas da nossa costa, muitas vezes pouco exploradas nesse formato, ampliando o repertório e criando uma identidade própria para o omakase na cidade.
Para entender por que o omakase virou o grande assunto do momento e onde viver essa experiência, reunimos quatro endereços que valem a visita:
Canoa
O Canoa tem um dos balcões mais descontraídos do Rio, com porta aberta para a rua, polaroids dos clientes penduradas e um clima leve que faz a experiência parecer um jantar entre amigos. Enquanto prepara cada etapa, o chef apresenta os peixes, explica os cortes e as técnicas utilizadas, tornando o omakase também uma oportunidade de aprender mais sobre a culinária japonesa.
Grande parte do menu é formada por niguiris preparados com peixes fresquíssimos, muitos deles vindos da nossa costa. O shari merece destaque: leve, delicado e muito equilibrado, servindo de base para as peças executadas com perfeição e finalizadas com molhos preparados na casa que dispensam o tradicional shoyu. O peixe-lírio com confit de limão e flor de sal e a vieira com missô mostram como pequenas intervenções conseguem valorizar ingredientes de excelente qualidade sem tirar o protagonismo do pescado. A torta de matcha encerra a experiência da mesma forma que ela começa: leve, cuidadosa e deliciosa!
Endereço: Rua Dias Ferreira, 605 C – Leblon
Saiba mais: @sushibar.canoa
Casa Ueda
A Casa Ueda é daqueles lugares que fazem você esquecer que está no Rio. Pequeno, acolhedor e extremamente tradicional, com uma atmosfera familiar e um respeito genuíno pela essência da culinária japonesa. À frente da cozinha, o chef Eric Ueda, ao lado de Eduardo Nakahara e André Matias, comanda um omakase que vai muito além de uma sequência de sushis, explorando técnicas e preparos que raramente aparecem em menus convencionais.
Sashimis e niguiris impecáveis dividem espaço com pratos quentes que abraçam, como o caldo de tofu, tempurás e espetinhos, entre eles o de wagyu, além de receitas menos comuns, como o fígado de tamboril. Para quem gosta de explorar novos sabores, também há espaço para provar ingredientes como o natto, a tradicional soja fermentada japonesa. Clássicos como o otoro, vieira e ouriço garantem alguns dos momentos mais esperados da noite. E o mochi de chocolate encerra um omakase que impressiona pela autenticidade, valorizando a tradição e a enorme diversidade da culinária japonesa.
Endereço: Rua Hans Staden, 10 – Botafogo
Saiba mais: @casaueda
Shiso
Elegante do começo ao fim, o omakase do Shiso, no Grand Hyatt, é daqueles menus que crescem a cada etapa. O ambiente sofisticado, o balcão e o belo bar criam o cenário para uma experiência generosa, que vai além dos sushis.
O menu começa de forma delicada, com salada e conservas, antes de abrir espaço para sashimis de peixes extremamente frescos e cortes maturados, de sabores bem intensos. Em seguida, ostras e niguiris. E na sequência os pratos quentes: camarão na brasa e o Maguro Kakuni, atum cozido lentamente servido com gohan. As sobremesas mantêm o nível, o entremet de matcha com sorbet de hibisco traz leveza e frescor, enquanto o de chocolate com pistache e togarashi fecha com um contraste surpreendente entre doçura e picância. Uma experiência elegante e muito bem construída, exatamente o que se espera de um restaurante de hotel cinco estrelas.
Endereço: Av. Lucio Costa, 9600 – Barra da Tijuca
Saiba mais: @restauranteshiso
Umai
No segundo andar do já consagrado Haru, do chef Menandro Rodrigues, você vai encontrar um balcão intimista e elegante, onde tudo transmite cuidado: o Umai. A iluminação baixa, o hashi com o nome do cliente e a apresentação dos peixes antes do início do menu já mostram que ali a experiência começa muito antes da primeira mordida.
Ao longo de 14 etapas, a cozinha combina técnica japonesa com ingredientes brasileiros em preparos criativos e extremamente precisos. Um dos primeiros pratos, a pescada perna-de-moça servida em um delicado caldo de dashi com tucupi, resume bem essa proposta. Na sequência, chegam combinações como as vieiras finalizadas com pólen de abelhas nativas e o trio de akami, chutoro e otoro, servido em ordem crescente de gordura para destacar as diferenças entre cada corte. A parte doce acompanha o mesmo nível da cozinha salgada, especialmente com a sobremesa Fazenda de Shiitake, uma verdadeira obra de arte criada pelo chef pâtissier Thiago Ferrer. É um omakase sofisticado, técnico e cheio de personalidade, perfeito para comemorar uma data especial.
Endereço: Rua Raimundo Correia, 10 – Copacabana
Saiba mais: @umai.rio























