O inverno começa no fim do mês, no dia 21 de junho, precisamente às 05h25 (horário de Brasília). Mas, nos últimos dias o frio já chegou com força ao Rio de Janeiro, incluindo chuvas mais fortes que o habitual no período. As temperaturas mais baixas nos convidam a escolher pratos mais robustos e encorpados, que ajudam a aquecer e a dar energia. Ou sono, para os que podem.

Uma boa pedida para o período são os lámens. Tanto em novas casas, quanto em endereços tradicionais que estão renovados, como o Mitsubá, que se mudou para o Jardim Botânico no início do ano. Foi quando Homero Cassiano “importou” de São Paulo o chef Marcelino Tadayoshi Tago, pupilo de Masanobu Haraguchi, um dos grandes nomes da cozinha japonesa no Brasil, mestre dos caldos. Ele passou cerca de dois meses no Rio, dando treinamento para a cozinha quente, que se aperfeiçoou no mundo dos caldos.

Duas novidades inauguradas esse ano reforçam o time de casas asiáticas com caldos primorosos. Uma é a Muto Oriental, um pequeno japonês familiar que abriu as portas há três meses, em Copacabana. No pequeno lugar, onde trabalham a filha, a chef Yuuka Shomen, que comanda o sushi bar, ao lado de seis pais, ele no salão, ela na cozinha, de onde sai uns lámens de respeito, como o ebi tempurá udon, com caldo rico, cogumelos e camarões fritos bem crocantes.

Outra boa novidade recentemente inaugurada no Rio é a Côt Parrilla, que mescla carnes de inspiração argentina com temperos e receitas asiáticas, em especial as de origem coreana. A costela bovina é assada em marinada asiática que tem molho de ostras, por 16 horas. Além de ser servida escoltada por guarnições, ela se torna ainda uma beleza de cumbuca fumegante, com noodles, repolho, gema curada e muita cebolinha.

Pela cidade, vários pratos fazem ainda mais sentido no período que se inicia. Às sextas, vale saber, tem caldinho de mocotó no Bar da Portuguesa, em Ramos: uma cumbuca repleta de aconchego e afeto.

É tempo de pedir o angu à baiana do Bar da Amendoeira, em Maria da Graça. E o arroz de cabrito do Rancho Português.

Sob encomendado, podemos pedir ao chef Marcelo Barcellos, do Barsa, no Cadeg, para preparar o seu famoso coelho ao bourguignon, cozido no vinho, com bacon e cogumelos. Perto dali, aos domingos, no Adonis, tem cozido à brasileira, prato que costuma a acabar cedo: antes de chegar a grande travessa com carnes e vegetais, além de ovos, o cliente recebe uma xícara grande com o caldo.

Nem só de terra vive esse menu de receitas revigorantes que tão bem caem nesse período: no Escama um dos destaques do cardápio marinho que é a especialidade da cozinha temos a canja do mar, uma delícia em forma de bisque de lagostim, com lagostins grelhados na brasa, ovo pochê, milho braseado, edamame e arroz pérola, para a gente tomar gemendo com uma bela fatia de pão de fermentação natural.

Quer que eu conte um segredo? No restaurante do clube Casa da Espanha, no Humaitá, encontramos, faça chuva ou faça sol, faça frio ou calor, os calos à la galega, uma grande caldeirada de dobradinha com chorizo.

Quando pensamos em refeições substanciosas e fartas, uma das principais referências da cidade é o Lanches Escol, na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana. Seu cardápio lista uma série de pratos fortes: tem rabada, mocotó, dobradinha e a boa e velha feijoada. Um à la carte com um quê de rodízio: você pode ir pedindo mais um pouco das guarnições.

Nos italianos aumentam as vendas do ossobuco em lugares como o D’Amici e o Da Brambini, ambas trattorias no Leme, especialistas no assunto, como como os clássicos e classudos Gero, em Ipanema, e Casa Tua, na Barra. Mangia que te fa bene.

Os portugueses, que formam a base da cultura gastronômica do Rio, são especialistas no assunto, e atuam em várias vertentes. Herdeiros do Antiquarius, o EA, em Botafogo, e os Gajos d’Ouro, em Ipanema, servem um prato desses que fazem parte da história do Rio. Trata-se do cordeiro assado, servido com o arroz úmido, preparado nos ricos sucos do cozimento da carne.

Na Quinta da Henriqueta a gente pode pedir uma alcatra. É assim que chamamos as caldeiradas nesta casa portuguesa do Jardim Botânico. Tem alcatra de polvo, e de carne. Elas são feitas por até três horas em panelas de carro, que chegam ao salão fumegantes e perfumadas, com tempero marcado pelo toucinho defumado e o vinho.

Na Mercearia da Praça, e também na Tasca da Mercearia, do mesmo grupo, uma das melhores pedidas é o cordeiro à moda da Foda, lançado no ano passado – numa referência a uma famosa feira gastronômica no Norte de Portugal.

A fondue se espalha pela cidade, em cardápios sazonais, em diversos formatos, como no Hansl, no Joá, especializado no assunto (há filas, portanto reserve, e ainda mais na noite do Dia dos Namorados). No Herr Pfeffer, no Leblon, o delicioso mix de mini linguiças da casa é servido junto da panelinha com queijos derretidos em vinho branco – a batata rosti é opcional, mas obrigatória, digamos assim.  Deu até fome.