O extenso balcão refrigerado da Adega Pérola é praticamente um cartão-postal do Rio. Basta debruçar os cotovelos naquela vitrine de acepipes para aparecer alguém fazendo fotos e vídeos com o celular, para postar nas redes sociais e levar como saborosa lembrança de viagem. Entre cariocas habitués e turistas encantados com a variedade de petiscos, a clientela também encontra naquele mostruário envidraçado o próprio menu da casa: ali, nesse ícone desta Cidade Deliciosa, poucos recorrem ao cardápio em papel. A gente aponta para o que queremos comer e logo o pratinho com cerca de 100 gramas é montado – há itens vendidos por unidade.
Esse processo de escolha visual do que provar é uma tradição da Adega Pérola, legítimo Patrimônio Cultural Carioca, botequim fundado em 1957, que em 2026 inicia a contagem regressiva para os seus 70 anos, a serem comemorados em 2027. Não é fácil ter que eleger os petiscos, são muitas as tentações.
Entre os pedidos mais clássicos estão o polvo à vinagrete, os rollmops, as escabeches (de sardinha, de xerelete, de truta, de linguado e de arenque), as ovas de tainha, a conserva de berinjela, o alho espanhol no azeite, a linguiça ao vinho tinto, as caravelas de bacalhau (uma salada com feijão fradinho, alho, cebola roxa e azeitonas pretas), e as pérolas do mar, reunindo vieiras, polvo, camarões e mexilhões. Isso, para ficar só no lendário balcão refrigerado, com cerca de 60 itens (alguns são finalizados na cozinha, como as linguiças alemães e a morcela, por exemplo). Tremoços, azeitonas, favas, jiló, ovo de codorna, pimenta biquinho, presunto cru espanhol… O balcão da Adega Pérola é uma festa.
Fora isso, há o menu de petiscos quentes, além de uma seleção de pratos principais, que fazem sucesso com os muitos trabalhadores das redondezas que param ali para almoçar.
Para beliscar, entre os itens mais pedidos estão os bolinhos de bacalhau, que podem vir em formato coquetel, para comer numa bocada só, praticamente; os anéis de lula empanados; as sardinhas fritas na hora; a carne-de-sol na chapa com aipim; as manjubinhas fritas; o caldo de feijão (e o verde); o provolone à milanesa; o torresmo; as moelas ao molho; e o frango à passarinho. Sem esquecer da rã, que é servida empanada, com muito alho frito por cima, uma raridade que merece atenção, uma oportunidade de provar uma iguaria difícil de se achar na cidade.
É um repertório de tanto de acepipes, somando cerca de 150 itens ao todo, entre quentes e frios, entre conservas e frituras, entre queijos, embutidos, carnes curadas etc.
E ainda existe o menu de almoço, com 15 opções, que podem servir uma ou duas pessoas. Tem linguado com molho de camarão, arroz de bacalhau, lula na chapa com arroz de brócolis, e o bife à milanesa com fritas, arroz e feijão.
Para beber, o chope predomina, sob os cuidados de um dos mais famosos especialistas no serviço da bebida no Rio, o Beto da Adega, com mais de 30 anos de experiência no comando das torneiras da casa. Uma boa carta de cervejas, com rótulos artesanais, e uma seleção de vinhos com destaque para os portugueses são outras possibilidades etílicas. Cachaças têm boa saída, assim como as caipirinhas. Porque a Adega Pérola tem tudo o que um legítimo botequim carioca precisa ter para se tornar um ponto turístico ao mesmo tempo em que é adorado pelos moradores locais: isso não é para qualquer um.
Endereço: Rua Siqueira Campos, 138 - Copacabana, Rio de Janeiro Siga: @adegaperola























