O bar Enchendo Linguiça, no Grajaú, tem dois petiscos icônicos, o joelho de porco assado à moda alemã e a chamada linguiça croc, embutido caseiro envolvido em chips de batata frita. A inspiração para os dois veio de viagens, à região da Baviera e a Lisboa.

– Nas férias em Munique eu conheci o schweinhaxe, que é o joelho de porco alemão, com a pele crocante – diz o empresário Fernando Breschnik, sócio da casa, caprichando na pronúncia. – Aí, tive a ideia de assar na frangueira, nossa popular TV de cachorro, e foi um sucesso. No início, fazia questão de servir como manda a tradição, com salada de batata e chucrute, mas não teve jeito. Com o tempo, a pedido dos clientes, passei a servir com guarnições à escolha. Muita gente pede com feijão tropeiro, e fica muito bom. Tem tudo aquilo que gostamos: guarnição à francesa, farofa de ovos, aipim frito, arroz maluco, molho à campanha… – lembra ele.

Já a linguiça croc não é apenas resultado de uma viagem a Portugal. A história também envolve muitos estudos. Fernando Breschnik fez um curso de processamento de carnes e derivados no extinto Senai de Vassouras.

– O conceito do bar nasce daí, da produção artesanal de linguiças. Inauguramos o bar em 2006, e a fábrica de embutidos em 2008. Estamos orgulhosos, porque recentemente conquistamos o selo de inspeção agropecuária número 0001 no Estado do Rio de Janeiro, com aprovação do SISBI (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal) – comenta Breschnik, mostrando a placa que mostra a distinção sanitária, lembrando que no início do ano recebeu outra honraria oficial: o bar agora é Patrimônio Cultural carioca, consagrado pela prefeitura do Rio, com a presença de Eduardo Paes, roda de samba e muito chope na cerimônia.

Chope, joelho de porco e muita linguiça croc, obviamente. Se a ideia de servir o joelho à pururuca nasceu na Alemanha, esse petisco que usa o embutido que nomeia a casa teve origem num restaurante estrelado no Hotel Ritz, de Lisboa, para lá de elegante, da rede Four Seasons.

– No menu degustação o chef serviu uma massinha delicada e crocante, com uma gema de ovo de codorna dentro. Adorei aquilo. Quando voltei ao Brasil, tentei reproduzir, mas não consegui de jeito nenhum. Então, veio a ideia de usar a nossa linguiça, e uma batata fininha. Novamente foi um sucesso danado, ficando em terceiro lugar no Comida di Buteco de 2009, e foi parar até na Ana Maria Braga, que depois me convidou para ser jurado no Concurso de Melhor Linguiça do Brasil no programa “Mais Você” – conta.

Cumpre lembrar que o Enchendo Linguiça tem muito mais petiscos e pratos do que essa dupla, a começar pelos embutidos produzidos ali: tem a alemã (molho de cerveja e salada de batata), a nordestina (linguiça com queijo coalho, servida com aipim cozido e manteiga de garrafa) e siciliana (calabresa feita com tomates secos e servida com pão de alho e pesto), entre outras. Tem até pastel de linguiça. E o caldinho de feijão dali tem purê de aipim e calabresa.

O joelho, agora assado em uma churrasqueira elétrica, pode ser entrada, servida desfiada, para petiscar, ou prato principal, com guarnições.

O chope sai perfeito, na caldereta, muito gelado com aquela espuma cremosa necessária.

Cá entre nós, o Enchendo Linguiça é um senhor botequim. Com a cara do rio. Um lugar para provar dois petiscos icônicos dessa Cidade Deliciosa.

Endereço: Av. Eng. Richard, 2 - Grajaú
Siga: @enchendolinguiça