Poucos conhecem Antônio Carlos Laffargue, mas quase todo mundo sabe quem é Toninho do Momo, inclusive Zeca Pagodinho. O apelido vem do bar da família, onde ele dá expediente desde o início dos anos 1990, quando começou a ajudar o pai se revezando entre a cozinha e o balcão do Bar do Momo, no coração da Muda, esse enclave tijucano que carrega a alma do bairro. Nessa época, o botequim não tinha um cardápio diferente do que encontramos em estabelecimentos do tipo: carne seca com aipim, linguiça calabresa, bolinho de bacalhau e por aí vai. Mas, por volta de 2005 as coisas começaram a mudar. Foi quando Toninho começou a criar suas receitas, que aos poucos começaram a chamar a atenção da clientela, por serem deliciosas e criativas.
– Acho que a primeira coisa diferente que eu fiz foram os jilós recheados, de calabresa, de carne assada, de queijo e de joelho de porco – lembra o cozinheiro, que passou a fazer tanto sucesso que foi convidado a criar o menu e coordenar a equipe de cozinha do – nada mais, na menos – Bar do Zeca Pagodinho, que hoje tem filiais até em São Paulo.
O sucesso transformou o Bar do Momo em um dos mais badalados do Rio, e digno Patrimônio Cultural Carioca, título concedido em 2022 pelo prefeito Eduardo Paes. É um desses raros lugares que fazem sucesso com cariocas, tanto da Tijuca como de outros bairros da cidade, assim como com turistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Vencedor de concursos de bares, como o Botecar, a casa teve que ampliar o seu espaço para acomodar a clientela crescente, pegando lojas vizinhas, e espalhando ainda mais mesas pela calçada da Rua Espírito Santo Cardoso, quase esquina com a Rua Uruguai.
Em 2013, o lançamento do famoso bolinho de arroz com calabresa e queijo, criado para o festival Comida di Buteco, acabou sendo um marco do Bar do Momo, inaugurando um momento de extrema criatividade do chef, que passou a criar novos pratos, sanduíches e petiscos em série, como o bolovo de bacalhau, uma releitura criativa de dois clássicos de botequim; a cozinha de rabada com barbecue de goiabada. São os chamados Petiscos do Rei (e os Sanduíches do Rei), agrupados no cardápio, uma seleção de petiscos originais, exclusivos do Momo. Assim, nasceram receitas como Entre o Torresmo e a Moela, uma cumbuca com purê de batata-doce com os dois itens que batizam o prato; e o “O Bêbado e o Equilibrista” é um famoso sanduíche de pernil muito suculento com maionese de alho e picles de carambola. Uma das últimas criações foi o “sonho” de batata baroa com pernil, criação premiada no festival Botecar RJ 2024. Esse ano, o petisco foi o chamado Da Carne-Seca a Notre-Dame de Paris, uma carne-seca no molho de carne, com vinagrete de couve e tangerina e picles de abóbora. O cardápio, assim, foi crescendo, crescendo, e a cada ano está maior e mais delicioso, com as novas criações.
Mas, quem prefere ir na tradição não precisa ficar preocupado. Continuam em cartaz a feijoada das sextas, e outras refeições clássicas de botequim, como a carne assada com espaguete e o picadinho carioca, além dos petiscos clássicos, como torresmo, bolinho de bacalhau. Tudo seguindo o padrão Momo de qualidade.
Endereço: R. Gen. Espírito Santo Cardoso, 50A - Loja A - Tijuca Siga: @bardomomooficial























