Instituição alia pesquisa, conservação ambiental e turismo sustentável em um dos principais cartões-postais da cidade
Em meio aos debates cada vez mais urgentes sobre mudanças climáticas e preservação da biodiversidade, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro reafirma seu papel como referência em pesquisa científica, educação ambiental e conservação da natureza.
Em entrevista ao Visit Rio, a diretora de Conhecimento, Ambiente e Tecnologia da instituição, Marcia Faraco, destaca como o espaço equilibra sua relevância ambiental com a experiência turística em um dos cenários mais emblemáticos da cidade.
Na conversa, Marcia também aborda as iniciativas desenvolvidas durante o Mês do Meio Ambiente, o papel do Jardim Botânico na conscientização da sociedade e a importância da parceria com o Visit Rio para fortalecer a imagem da cidade como destino comprometido com a sustentabilidade.
Boa leitura!
Visit Rio: O Jardim Botânico é um dos principais cartões-postais do Rio, mas também desempenha um papel estratégico na pesquisa e preservação ambiental. Como equilibrar essas duas vocações da instituição?
Marcia Faraco: É comum confundir jardins botânicos com parques públicos, mas essas instituições cumprem funções científicas específicas. Elas se apoiam, tradicionalmente, em três pilares fundamentais. A pesquisa científica, que é realizada em toda a área do jardim, deve se alinhar às necessidades de políticas públicas, mas também abrir espaço para inovações no setor privado. A pesquisa precisa dialogar com o bioma local, promovendo o conhecimento aplicado e contribuindo para a ciência básica e ambiental. Essa função garante que as instituições continuem relevantes, permitindo que decisões políticas e sociais considerem evidências científicas robustas. O outro pilar é a educação ambiental. O papel educativo é central para formar cidadãos conscientes sobre a importância da biodiversidade dos ecossistemas, estimulando valores de preservação e sustentabilidade. Através de programas educativos.
Com oficinas, palestras e visitas guiadas, os jardins botânicos tornam tangíveis conceitos complexos como interdependência ecológica, ciclos naturais e impactos humanos sobre o ambiente. Outro pilar muito importante é a conservação de espécies ameaçadas de extinção. Diante da aceleração da perda da biodiversidade, essa função se torna estratégica. Iniciativas globais, como as recomendações do Kill Gardens, reforçam que jardins botânicos devem garantir a preservação ex situ por meio de bancos de sementes, germoplasma e matrizes de mudas vivas, garantindo a sobrevivência de espécies em risco. A função de conservação conecta diretamente o trabalho científico à proteção da vida no planeta, demonstrando que o conhecimento acumulado não é apenas teórico, mas possui impacto prático e ético.
VR: Em um momento em que as mudanças climáticas estão cada vez mais presentes no cotidiano das cidades, qual é o papel do Jardim Botânico na conscientização ambiental e na produção de conhecimento científico?
MF: A educação ambiental é um pilar fundamental do trabalho dos Jardins Botânicos. Ela vai além da simples transmissão de informações sobre espécies e ecossistemas; envolve sensibilização, formação de consciência crítica e estimulação responsável. Programas educativos estruturados permitem que os visitantes compreendam a interdependência entre seres humanos e natureza, reconheçam os impactos de suas ações e desenvolvem hábitos sustentáveis em suas vidas diárias. Oficinas, palestras, visitas guiadas, exposições interativas e eventos públicos são exemplos de estratégias para atingir esse objetivo. Tais iniciativas fortalecem a conexão entre ciência e sociedade, mostrando que a preservação da biodiversidade é responsabilidade coletiva.
VR: O Rio de Janeiro tem na natureza um dos seus maiores ativos turísticos. Como o senhor enxerga a contribuição do Jardim Botânico para fortalecer a imagem da cidade como referência em turismo sustentável?
MF: O Rio já é mundialmente famoso pela sua natureza exuberante, mas o Jardim Botânico mostra que o turismo da cidade pode ser interessante, educativo e responsável. Nós não somos só um lugar de contemplação. Nós posicionamos o Rio como uma capital que estuda e protege o seu patrimônio verde. Quando um turista estrangeiro ou brasileiro vem aqui, ele vê a importância de um Jardim Botânico frente às questões ambientais, que o Rio leva a sério a sustentabilidade. A nossa contribuição é dar consistência e orgulho a essa imagem de cidade maravilhosa verde.
VR: O Jardim Botânico reúne coleções científicas, espécies ameaçadas e projetos de conservação reconhecidos internacionalmente. Quais iniciativas ou avanços recentes merecem destaque neste Mês do Meio Ambiente?
MF: Este mês é sempre muito especial, é o mês de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, do aniversário do Jardim Botânico. A programação reúne iniciativas que integram conhecimento científico, vivências no arboreto e sensibilização ambiental. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro é muito mais que um espaço de contemplação da natureza. Ele é um laboratório científico, um centro de educação, um espaço de memória histórica e um símbolo da responsabilidade cultural, ética e ambiental.
VR: Além da experiência turística, o Jardim Botânico também promove educação ambiental e aproximação da população com a biodiversidade. Como ampliar essa conexão entre os cariocas, os visitantes e a preservação da natureza?
MF: Queremos que o carioca venha mais ao Jardim Botânico. Para ampliar essa conexão, estamos investindo em experiências sensoriais e eventos que dialoguem com o público. Como exemplo, temos um música no jardim, trilhas temáticas, visitas noturnas, oficinas e projetos consistentes com escolas públicas da região. O museu também tem contribuído com uma programação para diversos públicos. A preservação só acontece quando você desperta a consciência nas pessoas, quando você as toca. Despertar nas pessoas a sensação de pertencimento, a necessidade de preservação e de amor pela natureza. O Jardim Botânico nos mostra que é possível combinar maravilhamento, conhecimento e ação através de pesquisa científica, educação, preservação e memória histórica. Essas instituições demonstram que, mesmo em meio a adversidades globais, é possível avançar, proteger e inspirar.
VR: Como mantenedor do Visit Rio, o Jardim Botânico integra uma rede de instituições que ajudam a promover o destino Rio de Janeiro no Brasil e no exterior. Como o senhor avalia a importância dessa parceria para fortalecer o turismo sustentável e valorizar os ativos naturais da cidade?
MF: A parceria com o Visit Rio é fundamental para impulsionar o turismo na cidade, atraindo visitantes e promovendo a realização de eventos e congressos. O turismo sustentável precisa de rede. Estar junto com o Visit Rio nos permite dialogar diretamente com o setor hoteleiro, com as agências, com outros pontos turísticos e com os promotores de grandes eventos, mostrando que o turismo de negócios ou de um governo deve ter uma pegada verde. Quando unimos forças, nós não promovemos apenas o Jardim Botânico, promovemos uma experiência integrada de cidade que respeita seu maior ativo, que é a natureza. É bom para o turismo, é bom para a economia e é vital para o meio ambiente.























